Aí o sommelier (ou aquele amigo entendido) coloca o nariz na taça e começa a listar uma infinidade de aromas que você nem sabia que existiam. Fala das frutas, especificando não só o tipo, mas o estado em que elas se encontram (maduras, em compota, passas..), entra em uma lista de especiarias que você nunca provou na vida, fala de uns aromas que você começa a achar que só pode ser brincadeira. Você coloca o seu nariz na taça e sente cheiro de… VINHO. Até consegue sentir um cheirinho de madeira, se ela estiver meio exagerada, mas é só. Então você começa a achar que essa coisa de manjar de vinhos não é pra você.

Relaxa, colega, isso é mais normal do que você imagina.

Reconhecer os aromas do vinho: questão de prática

Ninguém nasce com uma memória olfativa de Jedi, reconhecendo todos os aromas do mundo e mais um pouco no primeiro gole de vinho que tomam na vida. É tudo uma questão de prática. Assim como qualquer esporte, reconhecer os aromas de um vinho é uma atividade que requer treino, porque o único jeito de você reconhecer um aroma de groselha madura ou de caixa de charuto em uma taça de vinho, por exemplo, é se você já tiver cheirado essas coisas antes.

Então vamos dar a dica mais simples e eficaz do mundo: cheirem TUDO. Tudo mesmo. No supermercado, na feira, na cozinha, na rua. Sim, você vai parecer maluco, mas quem se importa? O importante é exercitar a memória olfativa. 

Cheire a maçã vermelha e a verde. E cheire elas cortadas, maduras e apodrecendo. Cheire a torta de maçã, a geléia de maçã e a maçã caramelizada. Agora repita isso um milhão de vezes, com todas as coisas que você encontrar por aí. Cheire os temperos secos e as ervas frescas. Cheire cascas de árvore, as folhas, as flores. Cheire os móveis novos de madeira, de diferentes tipos de madeira. Cheire tudo até o cérebro gravar. Esse exercício, que pode parecer óbvio, vai te ajudar a criar uma memória olfativa rica e cheia de referências, e vai eliminar aquele momento clássico: “eu conheço esse cheiro, mas não consigo lembrar o que é”.

Taças de aromas na Bodega Renacer, em Luján de Cuyo, Província de Mendoza, Argentina. | Foto: Umami 2017

Ah, mas é importante deixar um detalhe bem claro: os aromas de frutas, flores, especiarias e outros componentes não aparecem no vinho exatamente da mesma forma que esses aromas se apresentam in natura, senão o vinho seria uma mistureba meio esquisita. Você vai encontrar notas que lembram essas coisas, mas de uma forma mais sutil.

Por isso, depois de treinar bastante o nariz, uma boa dica é começar a utilizar uma RODA DE AROMAS (disponibilizamos uma para download gratuito AQUI) na hora de beber. A roda de aromas nada mais é do que um guia dos principais aromas encontrados nos vinhos. Nela, os aromas estão divididos em famílias, na parte interna, e aromas específicos na parte externa, e essa divisão é importantíssima, principalmente para quem está começando.

Para ajudar a reconhecer os aromas do vnho, não esqueça de baixar a nossa roda de aromas no link que disponibilizamos acima.

Antes de tentar encontrar uma fruta ou uma especiaria específica, tente encontrar as famílias de aromas. Tem fruta? Se sim, de que tipo: vermelhas, tropicais, cítricas? Depois de identificar os grupos, aí sim, passe para os aromas específicos. Se você  focar em sair direto tentando encontrar um aroma específico, vai acabar se frustrando.

Lembre-se: FAMÍLIAS.

É só treinar o nariz e espiar a roda enquanto degusta um vinho. Também vale procurar a ficha técnica da bebida no site do produtor, para descobrir que aromas o enólogo responsável menciona, e tentar encontrá-los também. Com o tempo, vai ficando muito mais fácil!

Ah, mas não seja o amigo chato que quer usar roda de aromas durante o churrasco, quando tá todo apenas batendo papo e se divertindo. Deixe para fazer isso quando estiver sozinho, ou com outras pessoas que queiram aprender também. Combinado?


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