Reunir os amigos para beber vinho é sempre uma boa pedida: cada um leva uma garrafa, todo mundo prova um pouco de tudo, joga conversa fora e se diverte. Sem regras! Agora, se você quiser transformar essas reuniões em degustações para aprender um pouco mais, treinar o seu paladar e ganhar repertório, temos algumas dicas que podem te ajudar!

POR QUE FAZER DEGUSTAÇÕES?

Poderíamos listar mil motivos neste tópico, mas vamos nos ater aos principais. Para começar, degustar vinhos em grupo é mais barato do que fazer isso sozinho. Para provar diversos vinhos de qualidade mais alta, por exemplo, que costumam custar mais caro, dividir os custos com amigos é uma baita dentro, e vai te permitir provar muita coisa que seria inviável bancar sozinho. Sem contar que não faz sentido abrir 6 garrafas diferentes, tomar uma taça de cada e deixar o resto sobrando (e você não vai conseguir tomar tudo sozinho, ou, pelo menos, não deveria).

Degustação de vinhos da região de Valpolicella, na Italia | Foto: Umami

Além disso, é sempre bom ter alguém para debater e comparar percepções sobre a bebida. Sabe quando você encontra um aroma diferente no vinho e não sabe se é a bebida ou se é o seu nariz que tá maluco? Pois então, taí uma boa razão para degustar com outras pessoas. Trocar informações, dividir dúvidas e ouvir a experiência de outras pessoas pode te ajudar bastante a aprender o que você, talvez, tivesse dificuldade de aprender por conta própria.

Para finalizar, fazer degustações em grupo vai te ajudar a sair da zona de conforto. Na hora de comprar vinhos, é normal que a gente vá direto naquilo que a gente gosta e deixe de lado tudo aquilo que parece estranho ou que a gente já tenha provado e torcido o nariz. Degustar em grupo vai te fazer abrir a cabeça, provar coisas que jamais pensaria em comprar e até dar mais uma chance para aqueles vinhos, uvas ou estilos que você criou ranço e jurou que não ia beber mais. E o resultado disso pode te surpreender positivamente. Te convencemos? Então vamos às dicas.

  1. ESCOLHENDO O LOCAL

Se para beber vinho você só precisa de vinho e de vontade, para fazer uma degustação mais técnica é preciso começar escolhendo um local adequado. Não é preciso nada de ultra formal, mas o ideal é que você escolha um lugar tranquilo, com boa iluminação e livre de cheiros fortes. Luzes baixas e/ou amareladas podem até ser bem aconchegantes, mas vão dificultar a análise visual do vinho. E por mais bacana que seja beber enquanto o churrasquinho é assado, os aromas de comida e de fumaça vão interferir bastante na sua análise olfativa, e atrapalhar a sua degustação.

      2. ESCOLHENDO OS VINHOS

Dá pra fazer uma degustação sem tema algum? Dá. Cada um leva um vinho e depois todo mundo degusta cada um deles. No entanto, para fins de aprendizado, a gente sugere que você sempre escolha um tema, que vai dar as diretrizes para a degustação. Isso vai evitar que apareça vinho repetido no meio do line-up e vai permitir que você possa comparar um vinho com outro dentro da mesma temática, o que facilita MUITO a compreensão. Então aqui vão algumas idéias bacanas para replicar.

Você pode fazer uma degustação vertical, aquela em que se prova o mesmo vinho, do mesmo produtor, mas elaborado em diferentes safras. Neste caso, você vai conseguir perceber, entre outros aspectos, a diferença que o clima de cada ano faz no vinho, por exemplo. Aliás, se forem vinhos mais antigos, vai conseguir avaliar a evolução de ano para ano.

Degustação vertical de Barbarescos, promovida por um grande amigo do Umami | Foto: Umami

Outra boa idéia é degustar vinhos da mesma uva, mas de diferentes regiões de um país, ou mesmo de diferentes países. Aqui, aliás, dá pra brincar muito. Digamos que você escolha Chardonnays brasileiros, por exemplo. Dá para provar um da Serra Gaúcha, um da Campanha Gaúcha, um do Planalto Catarinense, um de São Paulo, um de Minas Gerais e um da Bahia. Ou escolher 3 Chardonnays brasileiros e 3 argentinos da mesma faixa de preço para comparar. Ou mesmo escolher apenas Chardonnays da mesma região, mas de diferentes produtores. Também dá para comparar Chardonnays vinificados em diferentes estilos como, por exemplo, com passagem por madeira vs. sem passagem por madeira. Há, também, quem goste de fazer comparativos de vinhos caros vs. vinhos baratos, escolhendo vinhos semelhantes, mas de faixas de preço bem distintas. Neste caso, é bom que a degustação seja às cegas, e que um dos degustadores fique responsável por servir e, depois que todos tiverem feito as suas análises, revelar cada um dos vinhos. Lembrando que todos exemplos você pode aplicar para qualquer tipo de uva.

Também dá pra focar em países, ao invés de uvas. Você se interessa por vinhos da Itália? Que tal criar uma degustação com os principais tintos ou com os principais brancos do país, ou de uma região específica dele? Ou, quem sabe, focar em um estilo de vinho, como os licorosos.

Degustação de vinhos licorosos doces | Foto: Umami

No entanto, para garantir que os vinhos não sejam repetidos e que todos os estilos a que a degustação se propõe sejam contemplados, o ideal é estipular um valor máximo que cada um pode pagar pela degustação e deixar que uma pessoa se encarregue das compras. Acreditem, essa coisa de ‘cada um leva uma garrafa’ geralmente acaba em bagunça, o que é divertido, mas tira o foco do aprendizado que a degustação pode trazer.

      3. O QUE MAIS VOCÊ PRECISA PROVIDENCIAR

Montar uma degustação não é um bicho de sete cabeças. Você precisa apenas de alguns itens básicos, como saca-rolhas, água com ou sem gás (calcule 1 litro por pessoa), copos para água (um por participante), bolachinhas de água e sal para limpar o paladar, jogo americano para degustação, daqueles com a marcação para a taça e lugar para anotações (que você pode baixar de graça AQUI e imprimir quantos quiser), ficha técnica para degustação (é ótima para guiar quem ainda não está muito habituado a todas as etapas que envolvem a degustação. Também está disponível para baixar AQUI), balde para descarte de vinho (pode ser aqueles baldinhos metálicos de gelo, sabe?).

Dica preciosa do Umami: quando precisamos descartar o vinho da taça, o balde serve tranquilamente. Agora, para descartar o vinho que degustamos, que está na boca, é melhor disponibilizar copos plásticos individuais. Sério, cuspir num balde cheio é pedir para se respingar todo de vinho! Not cool, bro. Um copo descartável comum para cada participante já faz bem a função. Dê preferência para copos não transparentes, para que ninguém precise enxergar a baba do outro. Aí cada um descarta seu copo no balde maior e ninguém se suja!

Jogo americano para degustações desenvolvido pelo Umami. Baixa logo! | Foto: Umami

Se a sua degustação envolver vinhos que precisem passar pelo decanter, como tintos mais estruturados e que precisem de oxigenação, ou vinhos que tenham partículas que precisem ser decantadas, bom, aí você também vai precisar de um decanter.

É sempre bacana fazer a degustação à cegas, porque livra todo mundo de pré-conceitos e de ser influenciado por rótulos. Para esconder o rótulo, você pode utilizar capas para garrafas de vinho que você encontra à venda em lojas especializadas, ou cobrir as garrafas com papel alumínio, com saco de papel, ou qualquer outra idéia que der na telha. Mas é importante cobrir a garrafa inteira, não apenas o rótulo, viu?

Para finalizar, você vai precisar de taças. O cenário ideal seria que cada convidado tivesse a sua disposição uma taça por vinho, para, depois de provar todos, poder voltar aos anteriores, analisar novamente, comparar, etc. Se não for possível, duas taças por pessoa cumprem o papel. Elas precisam ser iguais, para que não influenciem na avaliação. Uma boa dica é comprar kits de taças ISO, aquelas menorzinhas, feitas para degustação. Um kit de seis taças ISO custa a partir de uns R$ 50,00. Sai bem mais em conta do que taças grandes convencionais e elas ainda têm a vantagem de ter um formato e tamanho padrão, o que significa que é fácil de repor quando elas quebrarem (o que vai acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde).

Degustação na Viña Cobos: cuspidor, jogo americano de fundo branco, taças identicas, ficha técnica dos vinhos, copo de água e lápis para anotações. | Foto: Umami

Uma última dica: tenha em mãos (ou no celular) a ficha técnica dos vinhos, para tirar qualquer dúvida que possa surgir quanto às castas, teor alcoólico, estágio em barrica, etc. Se quiser dar uma forcinha para a memória olfativa, também pode ser uma boa ter uma roda de aromas por perto. Você pode baixar a do Umami aqui.

E é isso, pessoal. Bora organizar umas degustações bacanas em casa? Se você seguir as nossas dicas e juntar a turma para degustar, marca a gente nas fotos do Instagram (nosso perfil é este) que a gente reposta nos nossos stories!


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