Nossos vizinhos uruguaios são conhecidos por sua hospitalidade, sua gastronomia, suas paisagens, por seu jeito buena onda de levar a vida e, claro, por seus ótimos vinhos. Nos últimos anos, o Uruguai tem despontado como um dos países produtores mais empolgantes do cenário, com investimentos pesados sendo aplicados no desenvolvimento de vinhedos e, como era de se esperar, com reconhecimento vindo de todo o mundo. Junte isso ao patrimônio cultural do país e à proximidade com o Brasil e voilá: temos um destino enoturístico imperdível!

O Uruguai é rodeado de praias e campos verdinhos. E vinhedos! | Foto: reprodução / Uruguay Natural

PANORAMA GERAL

O Uruguai é o quarto maior produtor da América do Sul, atrás da Argentina, Chile e Brasil. Seus vinhedos estão entre os dias 30 e 35 paralelos ao sul, na mesma latitude de Santiago (Chile), Mendoza (Argentina), Stellenbosch (África do Sul) e Barossa Valley (Austrália).

Segundo o INAVI – Instituto Nacional de Vitivinicultura, o  Uruguai possui, atualmente, cerca de 9.000 hectares de vinhedos. É, fundamentalmente, um país de pequenos produtores, com uma produção média anual de 95 milhões de litros, distribuídos em 280 vinícolas.

Cerca de 90% dos vinhos do país são elaborados em Canelones, região que circunda o departamento da capital, Montevideo. Em razão da produção enxuta, menos de 10% das garrafas produzidas no país são exportadas.

A Tannat é a uva ícone do país, ocupando cerca de 44% da área plantada.

O infográfico completo está disponível para download gratuito no final do post!

HISTÓRIA

A história do vinho no uruguaio remonta a meados do século 17, antes mesmo da independência do país, quando o Uruguai ainda era conhecido como Banda Oriental.

As primeiras videiras chegaram pelas mãos dos colonizadores espanhóis e foram plantadas, majoritariamente, na região sudoeste do país. Estas primeiras mudas, que acredita-se terem sido variedades de Moscato, eram cultivadas para consumo familiar, o que aconteceu até durante todo o século 18. Em 1825, o Uruguai foi declarado um estado independente, dando início ao ciclo industrial no país. Neste período, o número de vinhedos aumentou consideravelmente, mas a vitivinicultura ainda não era considerada uma atividade comercialmente viável.

Por volta de 1870, o imigrante basco Don Pascual Harriague, introduziu no país mudas da variedade francesa Tannat, trazidas da Argentina, e iniciou o seu cultivo em uma área de 200 hectares, na região de La Caballada, norte do Uruguai. Harriague acabou por se tornar pioneiro na indústria vitivinícola uruguaia, e a Tannat virou a uva símbolo do país. A importância de Don Pascual é tão grande que, no Uruguai, a Tannat também é conhecida como Harriague, em sua homenagem.

Outro nome bastante importante é Francisco Vidiella, horticultor espanhol contemporâneo de Harriague, que introduziu o plantio de outras variedades européias no sul do país.

Com o aumento da plantio, em 17 de julho de 1903, foi aprovada a primeira Lei Vitivinícola do Uruguai, regulamentando a produção e comercialização de vinho e, no ano seguinte, os controles de qualidade começam a ser aplicados. A consolidação do setor foi marcada pelo início do ensino de Vitivinicultura na Faculdade de Agronomia da Universidad de la República.

Na década de 1950, registrou-se um recorde histórico de área plantada. Duas décadas depois, devido ao incentivo dos enólogos, os vinhedos e vinícolas passaram a ser modernizados, em busca de uma maior qualidade na produção. Por consequência, em 1987, o Instituto Nacional de Viticultura (INAVI) foi criado, catapultando o setor para o mercado internacional.

Como forma de reconhecer a sua história e seu valor, o então presidente José Mujica declarou o vinho como bebida nacional em 4 de junho de 2014.

AS UVAS

A produção vitivinícola uruguaia em escala comercial começou, de fato, com a Tannat. Em 1870, Don Pascual Harriague introduziu algumas variedades de uva no país, na tentativa de descobrir qual delas melhor se adaptaria ao solo e ao clima locais. Os vinhos elaborados com a Tannat, variedade tinta originária de Madiran, no sul da França, provaram ser extremamente bem sucedidos.

Enquanto na França a variedade gera vinhos rústicos, de taninos agressivos, acidez alta e perfil aromático mais fechado, no Uruguai seus taninos se apresentam mais macios e seus aromas mais vibrantes, com notas de amora, cereja preta e ameixa. Frequentemente, a variedade é utilizada em cortes com Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. Atualmente, a Tannat representa 44% da área plantada total do país. 

Entre as variedades brancas mais comuns, encontramos Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Muscat, Viognier, Trebbiano, Torrontés e Albariño.

A Tannat é a uva símbolo do Uruguai | Foto: reprodução / Bodega Garzón

REGIÕES PRODUTORAS

As regiões vitivinícolas do Uruguai correspondem exatamente às suas regiões administrativas. Atualmente, existe cultivo em 15 dos 19 departamentos do país, estando a maioria dos vinhedos e vinícolas localizados nos departamentos de Canelones, Montevideo, Colônia, Maldonado e San José.

Quando se observa o mapa, dá para entender o fascínio que o país vem exercendo nos apaixonados por vinhos. As 5 regiões mais importantes estão lado a lado, em uma área próxima à costa, compreendida entre os arredores da badalada Punta del Este e da histórica e charmosa Colônia de Sacramento. Por isso, não é preciso dividir a viagem entre turismo e enoturismo. As duas coisas andam juntas, pois tudo é muito próximo. Dá para almoçar em uma vinícola ao meio-dia e curtir uma praia à tarde. Junte isso à qualidade dos vinhos, à renomada gastronomia e à proximidade com o Brasil, e temos um daqueles destinos de férias ideais, que agrada todo mundo!

  • CANELONES

Localizada na zona metropolitana do Uruguai, Canelones é a principal região produtora do país, com uma área plantada de cerca de 5 mil hectares. Mais de 60% das vinícolas uruguaias estão concentradas nesta região, onde o sol brilha o ano inteiro, as chuvas são abundantes e as temperaturas são amenas. As paisagens do interior são predominantemente campestres, com muito verde, enquanto as próximas à costa apresentam algumas das melhores dos arredores da capital. Como no restante do país, a uva destaque é a Tannat, apesar da região possuir uma grande diversidade de castas.

Bodega Artesana, em Canelones | Foto: reprodução / Bodega Artesana

A proximidade da capital Montevideo facilita bastante o turismo na região, que ainda se beneficia da pouca distância existente entre as bodegas, simplificando o planejamento. Por lá, podemos destacar as vinícolas Pizzorno, Bodega Artesana, Família Deicas, Bodega Marichal, Estabelecimento JuanicóVinos Casa Grande, Viñedo de Los Vientos e Gimenez Mendez.

  • MONTEVIDEO

O departamento de Montevideo, onde está a capital, é totalmente cercado pela região de Canelones, e suas condições climáticas são bem semelhantes. Como as vinícolas destes dois departamentos estão concentradas bem na divisa das duas áreas, é comum que haja confusão quanto à localização geográfica de algumas delas. No entanto, para fins de turismo, isso não faz muita diferença, já que as distâncias são pequenas e o acesso é bem simples. Muita gente opta, inclusive, por fazer as visitações de taxi ou Uber, partindo do centro de Montevideo.

Bodega Bouza, em Montevideo | Foto: reprodução / Bodega Bouza

Algumas das vinícolas mais antigas do país estão nesta região. No entanto, o crescimento populacional da capital acaba por forçar algumas vinícolas a mover seus vinhedos para outras regiões próximas.

Por lá, podemos destacar as vinícolas Bodega Bouza, Bodegas Carrau, H. Stagnari e Bodega Spinoglio.

  • COLONIA

A região de Colonia está localizada a oeste de Montevideo, seguindo o litoral do Rio da Prata, e possui mais de 500 hectares de vinhedos plantados. O distrito abriga Colonia del Sacramento, a segunda cidade mais antiga do país. Com ruas de pedra, casas antigas em tons terracota e iluminação amarelada, a cidade é um cartão postal. Cheia de restaurantes charmosos, cafés escondidos e hotéis boutique, o município é ponto central para quem quer visitar as vinícolas da região. Não bastasse tudo isso, em apenas 30min de ferry boat a partir de Colonia del Sacramento é possível chegar a Buenos Aires, o que faz da cidade a principal porta de entrada para turistas argentinos.

É em Colonia del Sacramento que está localizada a Bodega Los Cerros de San Juan, a mais antiga do país. A maioria dos estabelecimentos do departamento, no entanto, está localizada à noroeste da cidade, nos arredores da cidade de Carmelo, outro charme uruguaio a ser explorado.

O centro histórico de Colonia del Sacramento é considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO | Foto: reprodução / Atlas & Boots

A principal variedade da região é a Tannat, embora existam plantações muito bem sucedidas de Cabernet Sauvignon, Syrah, Pinot Noir e Viognier. Na região, não deixe de visitar as vinícolas Los Cerros de San Juan, Narbona, Campotinto, IrurtiaEl Legado, Bodega Bernardi, Finca Buena Vista e Bodega Cordano.

  • MALDONADO

O departamento de Maldonado é famoso por suas praias paradisíacas e cidades costeiras, especialmente Punta del Este e Jose Ignacio, que atraem visitantes de todo o mundo em busca de um badalado descanso à beira-mar. Afastando-se um pouco da costa, onde os vinhedos estão localizados, o terreno é montanhoso, com clima marítimo fresco e forte incidência de ventos.

A moderna Bodega Garzón é uma das mais visitas do país | Foto: reprodução / Bodega Garzón

A região é lar da inovação: a maioria dos vinhedos é relativamente nova e recém implantada, e as vinícolas compensam a falta de tradição vitivinícola com investimento pesado em tecnologia. É a região de maior ascensão no país, que, mesmo em pouco tempo, já se consolidou como lar de grandes vinhos. Um bom exemplo disso é a Bodega Garzón, maior expoente na região, que foi eleita, há poucas semanas, a Vinícola do Ano no Novo Mundo pela revista Wine Enthusiast.

Na região, entre um banho de mar e outro, visite as vinícolas Bodega Garzón, Viña Éden e Bodega Altos de La Ballena.

  • SAN JOSÉ

O pequeno departamento de San José, entre Colônia e Montevideo, é o quarto maior produtor do Uruguai, com cerca de 500 hectares de vinhas plantadas. O Rio San José, que corta a região e desemboca no Rio da Prata, permite a entrada de brisas frescas do Oceano Atlântico, que arrefecem a região. Os solos são argilosos, férteis e com água abundante, o que intensifica bastante o vigor da vinha e requer um manejo cuidadoso, para que a qualidade da uva se mantenha.

Finca Piedra, no Departamento de San José | Foto: reprodução / Paseos Uruguay

Muitas vinícolas de regiões vizinhas possuem vinhedos implantados nesta área, que é conhecida por seu Sauvignon Blanc e por seu Tannat. Entre as vinícolas que se destacam na região, estão a Finca Piedra e a Bodegas Castillo Viejo.

 


MAPA DAS REGIÕES VITIVINÍCOLAS DO URUGUAI PARA DOWNLOAD

BAIXE AQUI

Mapa e infográfico sobre os vinhos do Uruguai, disponível para download gratuito.


UMA CAVE POR VEZ | Vinícolas do Uruguai

Confira os episódios da série Uma Cave Por Vez gravados no Uruguai.

  • Bodega Bouza

  • Bodega Garzón

  • Bodega Los Cerro de San Juan


LINKS ÚTEIS


GOSTOU? Para novidades diárias, nos siga também no Instagram e inscreva-se em nosso canal no Youtube e em nosso Podcast (também disponível no iTunes)!