A Chenin Blanc é uma uva branca que nasceu no Vale do Loire, na França, e cujos registros mais antigos datam do século 9. Se precisássemos escolher apenas duas características para descrevê-la, não teríamos dúvida: alta acidez e versatilidade. Esta última, aliás, é gritante: a Chenin produz grandes espumantes, vinhos doces licorosos (inclusive botritizados) e renomados vinhos secos.

A seguir, vamos analisar o perfil da Chenin na França, seu país de origem, e na África do Sul, o maior produtor desta uva na atualidade. Vamos passar pelos estilos de vinhos produzidos em cada país, as principais denominações de origem e suas harmonizações clássicas.

Chenin Blanc, a uva de muitos estilos | Foto: reprodução / Kate Norris/Division Wine Co.

A CHENIN BLANC NA FRANÇA

Também chamada de Pineau de la Loire, a Chenin Blanc brilha na parte central do Vale do Loire, compreendida entre Blois e Savennières. Em sua terra natal, produz vinhos em todos os estilos.

DOCES

A alta acidez da Chenin é a responsável pelo sucesso dos vinhos doces aos quais dá origem, sejam eles de colheita tardia ou botritizados. Nos anos em que o outono é excepcionalmente quente, com pouca chuva e baixo índice de geadas, a uva fica muito propensa a ser afetada pela Botrytis Cinerea em sua melhor forma, a famosa podridão nobre, que ataca seus bagos e fura a sua casca, permitindo que a água evapore e concentrando açúcares e sabores. É o mesmo processo que acontece com os famosos Sauternes, em Bordeaux, os Trockenbeerenauslese (TBA) na Alemanha e os Tokaji Aszú, na Hungria. A doçura proveniente da concentração de açúcares (seja ela causada pela Botrytis ou não), no entanto, é lindamente equilibrada pela alta acidez natural da uva. Quarts de Chaume, Bonnezeaux, Coteaux du Layon e Vouvray são as apelações mais famosas a produzir neste estilo a partir da Chenin Blanc na região.

Perfil aromático: amêndoas, casca de frutas cítricas cristalizadas, damasco, mel e especiarias.

Harmonização ideal: queijos azuis, pato laqueado, torta de amêndoas ou pêras.

Vinhedos de Chenin Blanc em Vouvray, no Vale do Loire | Foto: reprodução / Domaine Huet

SECOS

Uma cor intensa não é exclusividade dos vinhos doces de Chenin Blanc. Os vinhos secos também podem apresentar uma coloração mais profunda, que vai de amarelo palha ao dourado com reflexos esverdeados. São vinhos que podem ser ligeiros ou mais encorpados, mas sempre com uma acidez pronunciada e crocante. Savennières, VouvrayMontlouis-sur-Loire produzem os vinhos secos de Chenin Blanc mais famosos da região.

Perfil aromático: flor de limoeiro, anis, pêra, marmelo, pêssegos e flores brancas, podendo desenvolver algumas notas de cera de abelha e frutas secas com a evolução.

Harmonização ideal: carnes brancas, molhos amanteigados, frutos do mar.

ESPUMANTES

Depois de Champagne, o Vale do Loire é a mais importante região produtora de espumantes da França, e a Chenin Blanc desempenha um papel de grande destaque. É a única casta autorizada para elaboração dos espumantes de Vouvray e de Montlouis-sur-Loire, e a principal casta dos espumantes de Saumur AOC. Também é a uva dominante dos espumantes Anjou Mousseaux, Anjou PétillantCrémant de Loire brancos, e pode aparecer, em menor escala, nos espumantes de Touraine.

Perfil aromático: o perfil aromático pode variar bastante conforme a região, o método de vinificação e de envelhecimento, mas, em geral, os espumantes de Chenin Blanc costumam apresentar notas amêndoas, frutas brancas, flores brancas, mel e, por vezes, baunilha e um toque mineral.

Harmonização: sushi, charcutaria, pratos a base de frango assado ou frito.

Vinhedos no entorno do Château de Saumur, no Vale do Loire | Foto: reprodução / Anjou Tourisme

A CHENIN BLANC NA ÁFRICA DO SUL

A África do Sul é, atualmente, o maior produtor de Chenin do mundo. A uva, conhecida por lá como Steen, chegou ao país em 1655, através de Jan Van Riebeeck, um holandês comandante da guarnição colonizadora da Cidade do Cabo. Sua alta acidez e a facilidade de cultivo fizeram com que ela se tornasse muito popular, tornando-se, rapidamente, a uva mais plantada do país.

Inicialmente, ela era principal ingrediente da enorme produção de brandy da África do Sul. No entanto, no final do século XX, o país, que vinha se tornando bastante conhecido e respeitado por seus vinhos, ainda buscava uma uva icônica para chamar de sua, tal como a Argentina fez com a Malbec. Por isso, devido à fácil disponibilidade de Chenin Blanc, os produtores locais começaram a experimentar novos estilos, novas formas de vinificação e chegaram a vinhos brancos secos de muita qualidade, com destaque para os exemplares provenientes de vinhas velhas, com baixo rendimento e de qualidade irretocável.

Vinhas velhas de Chenin Blanc na África do Sul | Foto: reprodução / Old Vine Project

Além dos diversos estilos varietais mencionados na seção anterior, a África do Sul também investe em blends com a Chenin Blanc. Para um estilo fresco, ácido e super seco, os produtores apostam em cortes com a Sauvignon Blanc, outra uva branca em acensão no país. Já para conseguir um estilo mais rico e potente, as escolhidas para fazer parte do corte costumam ser a Viogner, a Semillon ou a Marsanne.

A Chenin Blanc prospera em muitas das regiões produtoras do país, produzindo vinhos particularmente conceituados em Stellenbosch, Swartland e na Coastal Region. A uva é tão importante por lá que, no ano 2000, foi criada a Chenin Blanc Association, organização dedicada a garantir que a Chenin Blanc sul-africana assuma o seu lugar de destaque ao lado de outros grandes vinhos brancos do mundo.

 


GOSTOU? Para novidades diárias, nos siga também no Instagram e inscreva-se em nosso canal no Youtube e em nosso Podcast (também disponível no iTunes)!