O dia 17 de abril é conhecido no mundo do vinho como MALBEC WORLD DAY, o Dia Mundial do Malbec. A data, que é uma iniciativa do instituto Wines of Argentina, está em sua nona edição, e surgiu para celebrar a uva ícone da Argentina ao redor do mundo.

Dia 17 de abril é o Dia Mundial do Malbec | Foto: Divulgação / Wines of Argentina

A HISTÓRIA DA MALBEC

A Malbec é uma uva originária da França, onde é conhecida como Côt ou Auxxerois. Já foi uma das variedades mais plantadas de todo o sudoeste do país, incluindo Bordeaux, mas foi quase extinta durante a crise causada pela Filoxera, uma praga que dizimou vinhedos por toda a Europa no século XIX. Na ocasião do replantio, boa parte dos produtores acabou optando por substituí-la por mudas de uvas mais famosas e, principalmente, mais resistentes, como Cabernet Sauvignon e Merlot.

Folha de videira atacada pela Filoxera | Foto: reprodução / www.minnesotaseasons.com

A Malbec é, até hoje, uma das uvas tintas permitidas no famoso corte bordalês. Porém, atualmente, a maior parte das plantações de Malbec da França se concentra em Cahors, uma pequena cidade próxima a Bordeaux, cuja regulamentação exige um mínimo de 70% da uva em seus vinhos.

Vinhedos de Malbec em Cahors, na França | Foto: reprodução / www.wine-republic.com

A MALBEC E O NOVO MUNDO

Embora sua origem esteja no Velho Mundo, foi um país do Novo Mundo que deu à Malbec o status e a fama que ela tem hoje: a Argentina. A uva chegou ao país em 1852, através do engenheiro agrônomo francês Michel A. Pouget, e se adaptou rapidamente aos diversos terroirs que encontrou por lá.

A excelente adaptação da uva fez da Argentina o principal país produtor de Malbec no mundo, com quase 40 mil hectares de vinhedos plantados, seguidos pela França, Itália, Espanha, África do Sul, Nova Zelândia e EUA. A província de Mendoza é onde se concentra a maior parte da produção do país, com mais de 35 mil hectares, que representam 86% de todos os vinhedos Malbec da Argentina. San Juan ocupa o segundo lugar, seguido por Salta, Patagônia (Neuquén e Rio Negro) e La Rioja.

Vinhedos de Malbec em Mendoza, na Argentina | Foto: reprodução / www.argtravelagency.com.ar

Com o sucesso, veio o reconhecimento. Luján de Cuyo foi a primeira região a receber o status de Denominação de Origem para vinhos elaborados com a uva Malbec. Por lá, o vinho costuma ter uma coloração intensa bem característica, com um bom corpo, e bastante notas de frutas negras e especiarias. Em comparação com ele, os Malbecs provenientes de regiões de maior altitude, como Tupungato, Tunuyán e San Carlos, no Vale de Uco, costumam ser mais elegantes, com notas picantes e florais bem definidas. Já na Patagônia (Neuquén e Río Negro), onde o clima é um pouco mais frio, mas as altitudes são menos extremas, os vinhos elaborados com a uva apresentam uma acidez alta, notas de frutas negras maduras e um toque mineral. Há também aqueles provenientes do norte do país, mais precisamente das regiões de Salta e Catamarca, que têm uma forte incidência solar somada a grandes altitudes, e que geram vinhos com aromas de frutas vermelhas e negras maduras, bem como pimenta preta e páprica, além de boa estrutura e taninos muito macios.

Degustação de Malbecs na Vinícola Cobos, em Luján de Cuyo, Argentina | Foto: UMAMI

Aliás, foi este extensivo cultivo da Malbec por toda a Argentina que fez os produtores perceberem que a uva se expressava melhor, principalmente, nas regiões próximas ao sopé dos Andes, gerando vinhos com muita estrutura, bastante encorpados, mas com taninos muito macios, bem diferentes daqueles produzidos em Cahors, na França, que possuem um perfil mais rústico, mais duro no paladar. Essa diferença entre os Malbecs provenientes da França e da Argentina é bem perceptível e é uma das chaves do sucesso da uva na América do Sul.

QUANDO ABRIR UM MALBEC

Os Malbecs argentinos, em geral, são vinhos de cor muito profunda e muito escura, com notas de cerejas e ameixas, muitas vezes lembrando fruta bem madura. São vinhos quentes, com um nível alto de taninos, mas muito macios, que não precisam de envelhecimento prévio para serem apreciados. Ou seja, a melhor resposta para a pergunta “tenho um bom Malbec, quando devo abrir?” é: AGORA. Simples assim. São vinhos redondos e muito agradáveis, que podem sim envelhecer muito bem, mas que não precisam necessariamente deste envelhecimento para mostrar o seu melhor.

E A COMIDA?

Ah, essa é fácil: na hora da harmonização, basta seguir o exemplo de nossos hermanos argentinos e apostar em assado. A textura do vinho é ideal para acompanhar os mais variados cortes de carne, apesar de não fazer feio na companhia de pizzas, massas ao sugo e uma infinidade de pratos deliciosos.

Malbec e carne assada: almoço tradicional servido na Bodega Zuccardi, no Vale de Uco | Foto: UMAMI

E aí, bora abrir um Malbec hoje?


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