O aquecimento global, que vem afetando as regiões vinícolas em diferentes níveis de intensidade, tem sido um assunto muito discutido mundo afora. As drásticas mudanças climáticas dos últimos anos podem até favorecer momentaneamente algumas regiões, como é o caso da Alsácia, que tem experimentado uma maior facilidade de maturação de suas uvas, reduzindo drasticamente a necessidade de chaptalização. No geral, porém, é um assunto de grande preocupação internacional.

Entre as inúmeras discussões sobre o tema, uma proposta vinha sendo debatida em Bordeaux: a de que novas variedades de uvas fossem autorizadas para a elaboração dos vinhos Bordeaux AOC e Bordeaux Supérieur AOC. Esta questão passou, na semana passada, por uma importante votação no Consórcio que regula a região, de acordo com a revista Decanter.

Entre as sete variedades pré-autorizadas estão as tintas Marselan, Touriga Nacional, Arinarnoa (cruzamento entre Tannat e Cabernet Sauvignon) e Castets, uma casta menos conhecida, originária do sudoeste da França. Se juntam a elas 3 variedades brancas: Alvarinho, Petit Manseng e Liliorila (cruzamento de Barroque e Chardonnay).

A decisão ainda não é definitiva e precisa de aprovação final do INAO, órgão responsável por regulamentar os produtos agrícolas franceses com Denominação de Origem Controlada. No entanto, quando uma região tão tradicional como Bordeaux toma a iniciativa de incluir novas uvas (inclusive uvas não francesas) em sua produção, é sinal de que os efeitos da mudança climática estão afetando gravemente o setor.

As prováveis novas variedades foram escolhidas de acordo com a sua resistência a doenças e sua capacidade para se manter saudáveis em climas mais quentes. Se autorizadas definitivamente, poderão constituir até 10% do corte dos vinhos Bordeaux AOC e Bordeaux Supérieur AOC, que compõem 55% da produção total da região.


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