Vinho é a bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto (suco) de uvas, realizada por leveduras. Portanto todos os vinhos são veganos, certo? Não exatamente…

Muitos vinhos passam por um processo de clarificação, pois contêm partículas em suspensão, chamadas borras, que consistem, essencialmente, em proteínas, tartaratos, resíduos vegetais, substâncias combinadas com taninos e leveduras. Essas substâncias são naturais e inofensivas à saúde, mas deixam o vinho turvo e podem dar origem a aromas e sabores desagradáveis no vinho.

Parte dessas partículas decanta naturalmente na maioria dos vinhos, mas a indústria vinícola utiliza uma série de agentes de clarificação / filtração, que são regulamentados no Brasil pela ANVISA. Essencialmente, esses agentes funcionam como ímãs, atraindo e aglutinando essas partículas suspensas, tornando a decantação e a remoção das borras mais fácil.

Alguns dos agentes clarificantes / filtrantes mais comuns utilizados pelas vinícolas têm origem animal, como a caseína (proteína do leite), a albumina (presente na clara de ovos), a gelatina (proteína animal) e a ictiocola (obtida da bexiga natatória de peixes). Essas substâncias não são aditivos, pois não permanecem no produto final. Elas precipitam e são removidas junto com as borras do vinho.

A clarificação realizada com uso de caseína e gelatina, geralmente, é aceita pela maioria dos vegetarianos, mas o uso de qualquer uma dessas substâncias torna o vinho inadequado para veganos.

Em conjunto ou como alternativa a esses agentes clarificantes / filtrantes de origem animal, a indústria vinícola também utiliza produtos de origem mineral e vegetal, como o alginato (presente em algas), a bentonita (mineral), as proteínas vegetais e o extrato protéico de leveduras, por exemplo.

Um vinho é considerado vegano quando é clarificado apenas com agentes de origem vegetal e/ou mineral ou então quando, simplesmente, não é clarificado e/ou filtrado, não tendo, assim, contato algum com substâncias de origem animal. Entretanto, a maior parte das vinícolas não indica se o vinho foi ou não filtrado e quais os agentes clarificantes foram utilizados, o que torna a identificação desses produtos difícil no mercado.

Então, como saber se o meu vinho é ou não vegano? Sinto dizer que não é tão simples.

São poucos os rótulos no mercado onde consta essa informação. Assim, seria preciso ligar para as vinícolas e perguntar para um enólogo como é feita a clarificação / filtração de cada um de seus vinhos e espumantes. Felizmente, existem alguns sites que já fizeram esse trabalho e apresentam listas de vinhos veganos e não-veganos. É o caso do Barnivore – recomendado pelo PETA -, um site que entra em contato com vinícolas do mundo inteiro, questionando sobre suas práticas e sobre a adequação de seus produtos para veganos. Em uma pesquisa rápida, duas vinícolas brasileiras aparecem com 100% de seus produtos adequados para veganos: Casa Perini e Casa Valduga.

Felizmente, o número de vinícolas que está começando a produzir vinhos veganos no mercado brasileiro está aumentando. Só falta passar a informação no rótulo.

Aliás, se você souber de alguma vinícola que não utiliza produtos de origem animal em seus processos, escreve para cá, que iremos incluir a informação na matéria.


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